{"id":84,"date":"2013-03-03T15:00:07","date_gmt":"2013-03-03T18:00:07","guid":{"rendered":"http:\/\/td_uid_26_5beefb57d628a"},"modified":"2018-11-20T21:56:51","modified_gmt":"2018-11-20T23:56:51","slug":"olimpiadas-e-racismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.joaoneiva.com\/v1\/olimpiadas-e-racismo\/","title":{"rendered":"Olimp\u00edadas e Racismo"},"content":{"rendered":"<p>Hist\u00f3ria metamorfoseada. \u00c9 o que se constata quando se relaciona acontecimentos hist\u00f3ricos de racismo em Olimp\u00edadas de outrora com os Jogos de Londres 2012. H\u00e1 tamb\u00e9m certos imobilismos sociais dos negros em determinados esportes, como o futebol e o atletismo, e suas quase aus\u00eancias na gin\u00e1stica, nata\u00e7\u00e3o e t\u00eanis. Essas quest\u00f5es atrelam-se a duas dimens\u00f5es do racismo, a primeira tendo-o como instrumento de inferioriza\u00e7\u00e3o e estereotipa\u00e7\u00e3o do negro, e a segunda, como mecanismo de exclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 1856 o franc\u00eas Gobineau classificou as ra\u00e7as humanas. Para ele, os negros teriam intelecto d\u00e9bil, propens\u00f5es animais fortes e a moral parcialmente latente; os amarelos teriam intelecto med\u00edocre, propens\u00e3o animal moderada e a moral comparativamente desenvolvida; j\u00e1 os brancos teriam intelecto vigoroso, propens\u00f5es animais fortes e a moral altamente cultivada. Esse racialismo legitimou a biologiza\u00e7\u00e3o do outro, que seria estigmatizado e exclu\u00eddo socialmente, utilizando uma falsa ci\u00eancia pra tal, corroborando com objetivos pol\u00edticos e ideol\u00f3gicos da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Em 1936 quando o afro-americano Jesse Owens venceu 4 provas do Atletismo nos Jogos de Berlim na presen\u00e7a de Hitler, houve uma desestabiliza\u00e7\u00e3o de ideias eugenistas e nazistas que legitimavam a inferioriza\u00e7\u00e3o do negro e do judeu, de maneira a despotencializar engodos deterministas. Nos \u00faltimos anos houve muitos not\u00edci\u00e1rios indicativos de racismos no futebol europeu direcionados principalmente a africanos e a latino-americanos resignificando pr\u00e1ticas antigas que se travestem em novos e potentes intrumentos de poder que estabelece quem \u00e9 superior ou inferior, inclu\u00eddo ou exclu\u00eddo.<\/p>\n<p>Nos Jogos de Londres, infelizmente deparamos, nas redes sociais, com dois casos desses motes. O primeiro foi o da saltadora grega Paraskevi Papahristou que direcionou ofensas aos africanos; e o segundo foi o do jogador su\u00ed\u00e7o Michel Morganella que depreciou os sul-coreanos designando-os de \u201cbando de retardados\u201d. A parte feliz desses casos foi \u00e0 exitosa expuls\u00e3o dos atletas pelos pr\u00f3prios Comit\u00eas Ol\u00edmpicos dos pa\u00edses dos esportistas, com um recha\u00e7amento das atitudes praticadas que infligiam lemas ol\u00edmpicos, o respeito aos direitos humanos e a diversidade das na\u00e7\u00f5es. Desde o s\u00e9culo XIX que o determinismo biol\u00f3gico sofre cr\u00edticas. Hoje \u00e9 sabido que do ponto de vista cient\u00edfico, n\u00e3o h\u00e1 ra\u00e7as, mas sim, ra\u00e7a humana. No entanto, a ideia de ra\u00e7a ainda se incrusta nos imagin\u00e1rios e pr\u00e1ticas humanas, como nos casos evidenciados.<\/p>\n<p>O livro \u201cThe Bell Curve\u201d de 1994 reafirma que os negros t\u00eam Q.I inferior ao dos brancos, j\u00e1 outros indicam que os negros seriam mais propensos taxativamente ao atletismo, e menos para a nata\u00e7\u00e3o. Mas, exemplos nos mostram que, para al\u00e9m de explica\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas fatalistas, quando os negros t\u00eam oportunidades e investimentos em esportes historicamente elitistas, como nata\u00e7\u00e3o, gin\u00e1stica e t\u00eanis, eles explicitam o oposto dessas ideologias. Daiane dos Santos da gin\u00e1stica, Anthony Nesty da nata\u00e7\u00e3o e Arthur Ashe do t\u00eanis, comprovaram a inefic\u00e1cia de pesquisas que engessam a realidade, fortificam nacos de privil\u00e9gios nos esportes de uma elite que ampliam ainda mais a desigualdade.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, que o processo de resist\u00eancia social que sempre rebateu pensamentos e pr\u00e1ticas racistas continuem a combater uma educa\u00e7\u00e3o envenenada que atinge o esporte. Que atentamos no pensamento e na a\u00e7\u00e3o, sejam em quadras, pistas e piscinas, para que a igualdade acompanhe o princ\u00edpio da diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Artigo publicado inicialmente no jornal capixaba <strong><em>A Tribuna <\/em><\/strong>na p\u00e1gina 24 da Se\u00e7\u00e3o \u201cTribuna Livre\u201d, em 08\/08\/2012.<\/p>\n<p>Professor do Ensino Superior. Doutorando em Educa\u00e7\u00e3o do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o da UFES. Membro do N\u00facleo de Estudos Afro-Brasileiros da UFES.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3ria metamorfoseada. \u00c9 o que se constata quando se relaciona acontecimentos hist\u00f3ricos de racismo em Olimp\u00edadas de outrora com os Jogos de Londres 2012. H\u00e1 tamb\u00e9m certos imobilismos sociais dos negros em determinados esportes, como o futebol e o atletismo, e suas quase aus\u00eancias na gin\u00e1stica, nata\u00e7\u00e3o e t\u00eanis. 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